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Como ler Paulina Chiziane: a contadora de histórias de Moçambique

Paulina Chiziane nasceu em 1955 em Manjacaze, na província de Gaza, no sul de Moçambique, e cresceu nos subúrbios de Maputo. Em casa, falava chope e ronga. O português aprendeu na escola das missões católicas.

Em 1990, tornou-se a primeira mulher moçambicana a publicar um romance. Não gosta de ser chamada de romancista: diz que é contadora de histórias, como as mulheres mais velhas que ouvia ao redor do fogo.

Seus livros falam do casamento, da poligamia, da guerra e do lugar da mulher numa sociedade que muda depressa. Em 2021, recebeu o Prêmio Camões, a primeira africana a conquistá-lo.

Por onde começar: Niketche.

Contexto histórico e cultural

Chiziane cresceu no fim do domínio português e participou ainda jovem da Frelimo, o movimento que levou Moçambique à independência, em 1975. Depois veio uma guerra civil que durou até 1992.

No novo país, discutia-se quase tudo: língua, religião, tradição, modernidade. Pouco se discutia, porém, o que as mulheres viviam dentro de casa.

É esse o assunto de Chiziane. Seus romances juntam a tradição oral, os ritos e as crenças do sul de Moçambique a uma crítica direta ao machismo, venha ele da tradição ou da modernidade.

Principais obras

  • Balada de Amor ao Vento (1990). O primeiro romance publicado por uma mulher em Moçambique: uma história de amor atravessada pelos costumes do sul do país.
  • Ventos do Apocalipse (1993). A guerra civil vista a partir de uma aldeia que precisa fugir da fome e da violência.
  • O Sétimo Juramento (2000). Poder, feitiçaria e ambição na Maputo pós-independência.
  • Niketche: Uma História de Poligamia (2002). Rami descobre que o marido tem outras quatro mulheres e decide conhecer cada uma delas. O livro mais lido da autora.
  • O Alegre Canto da Perdiz (2008). Três gerações de mulheres e a herança do colonialismo na Zambézia.

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