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Como ler Pepetela: a guerrilha, a utopia e o que veio depois

Pepetela é o nome de guerra de Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, nascido em 1941 em Benguela, Angola. Pepetela quer dizer “pestana” em umbundo.

Estudou em Lisboa e em Argel e entrou para o MPLA, o movimento de libertação angolano. Lutou na guerrilha contra o colonialismo português e escreveu o romance Mayombe no meio da floresta, entre um combate e outro.

Depois da independência, foi vice-ministro da Educação e professor universitário. Em 1997, recebeu o Prêmio Camões. É hoje o romancista mais importante de Angola.

Por onde começar: Mayombe.

Contexto histórico e cultural

Pepetela viveu a guerra de libertação contra Portugal, a independência em 1975 e a longa guerra civil que se seguiu, até 2002.

Seus livros acompanham essa história do começo ao fim. Primeiro, o sonho da independência e a camaradagem da guerrilha. Depois, a desilusão com o poder, a corrupção e a nova elite que tomou o lugar da antiga.

Angolano filho de família branca, escreve também sobre a mistura de povos e culturas que formou o país, das sociedades tradicionais aos colonos e aos novos ricos de Luanda.

Principais obras

  • Mayombe (1980). Escrito durante a guerrilha: um grupo de combatentes na floresta e as tensões entre eles.
  • Yaka (1984). Cinco gerações de uma família de colonos em Benguela, do século XIX à independência.
  • A Geração da Utopia (1992). O que aconteceu com os jovens que sonharam a independência, do exílio à desilusão.
  • O Desejo de Kianda (1995). Prédios de Luanda começam a desabar sozinhos, numa sátira do país do pós-guerra.
  • Jaime Bunda, Agente Secreto (2001). Paródia policial com um detetive trapalhão na Luanda da corrupção.

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