Como ler Sophia de Mello Breyner Andresen: a poesia do mar e da clareza
Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto, em 1919, numa família aristocrática de origem dinamarquesa, e passou a infância entre uma casa cercada de jardins e as praias do norte de Portugal.
O mar, a luz e a Grécia antiga atravessam toda a sua poesia, escrita com palavras simples e exatas, quase sem enfeite. Para ela, o poema era uma forma de ver o mundo com justiça.
Foi também autora de contos infantis que gerações de portugueses leram na escola, como A Menina do Mar. Em 1999, tornou-se a primeira mulher a receber o Prêmio Camões. Desde 2014, está no Panteão Nacional, em Lisboa.
Por onde começar: Mar Novo.
Contexto histórico e cultural
Sophia publicou o primeiro livro em 1944, em pleno Estado Novo, a ditadura de Salazar. Católica, assumiu uma oposição aberta ao regime e à guerra colonial.
Depois da Revolução dos Cravos, em 1974, foi eleita deputada à Assembleia Constituinte. Um dos seus poemas mais conhecidos celebra aquela manhã: “Esta é a madrugada que eu esperava”.
Sua poesia junta a tradição clássica, a fé e o compromisso político sem nunca perder a limpidez, e é uma das mais lidas de Portugal no século XX.
Principais obras
- Poesia (1944). O livro de estreia, com o mar e a luz que seriam marcas de toda a obra.
- Mar Novo (1958). Poemas em que o mar aparece como origem, medida e promessa.
- A Menina do Mar (1958). Conto infantil sobre a amizade entre um menino e uma menina que vive no fundo do mar.
- Livro Sexto (1962). Uma das obras centrais da autora, premiada, que junta lirismo e consciência política.
- Contos Exemplares (1962). Contos para adultos sobre culpa, justiça e graça, com a mesma prosa limpa da poesia.
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