Como ler Lima Barreto: o Rio de Janeiro visto do subúrbio
Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu no Rio de Janeiro em 1881, sete anos antes da Abolição, neto de escravizados. Perdeu a mãe aos seis anos, e o pai enlouqueceu quando ele ainda era jovem.
Precisou largar a faculdade de Engenharia para sustentar a família e virou amanuense na Secretaria da Guerra, um emprego modesto que detestava. Escrevia nas horas vagas, nos jornais e nos cafés.
Seus romances e crônicas mostram o Rio dos subúrbios, dos funcionários pobres e dos negros, com uma ironia sem piedade contra o racismo, a burocracia e as elites da Primeira República.
Por onde começar: Triste Fim de Policarpo Quaresma.
Contexto histórico e cultural
Lima Barreto viveu a passagem do Império para a República e a reforma urbana que derrubou cortiços para modernizar o centro do Rio, empurrando os pobres para os morros e subúrbios.
Enquanto boa parte dos escritores da época escrevia num português rebuscado, ele defendia uma literatura simples, militante, próxima do leitor comum. Foi chamado de desleixado e tentou três vezes, sem sucesso, entrar na Academia Brasileira de Letras.
Internado duas vezes no Hospício Nacional por causa do alcoolismo, também escreveu sobre essa experiência. Morreu aos 41 anos, quase esquecido, e só foi reconhecido de verdade décadas depois.
Principais obras
- Recordações do Escrivão Isaías Caminha (1909). Um jovem negro do interior chega ao Rio e enfrenta o racismo das redações de jornal.
- Triste Fim de Policarpo Quaresma (1915). Um patriota ingênuo tenta salvar o Brasil e termina destruído pelo próprio país.
- Os Bruzundangas (1923). Sátira de um país imaginário muito parecido com o Brasil.
- Clara dos Anjos (1948). Uma moça negra do subúrbio seduzida e abandonada por um rapaz branco. Publicado postumamente.
- Diário do Hospício (1953). Anotações da internação de 1919-1920 no Hospício Nacional.
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