Como ler Primo Levi: o químico que sobreviveu a Auschwitz
Primo Levi nasceu em Turim, em 1919, numa família judia, e se formou em química em 1941, apesar das leis raciais do fascismo. Entrou para a resistência contra a ocupação alemã e foi preso em dezembro de 1943.
Em fevereiro de 1944, foi deportado para Auschwitz. Sobreviveu porque era químico e foi mandado trabalhar num laboratório do campo, e porque teve sorte, como ele mesmo dizia. Dos 650 judeus italianos do seu comboio, pouco mais de vinte voltaram.
De volta a Turim, trabalhou a vida inteira numa fábrica de tintas e escreveu nas horas livres. Seus livros sobre o campo são contados com a calma e a exatidão de um cientista, sem gritos, e é justamente isso que os torna inesquecíveis.
Por onde começar: É Isto um Homem?.
Contexto histórico e cultural
Levi viveu a Itália de Mussolini, as leis raciais de 1938, a guerra e a ocupação nazista, que levou à deportação de milhares de judeus italianos.
Quando voltou, pouca gente queria ouvir falar dos campos. A primeira edição de É Isto um Homem?, em 1947, vendeu pouco e foi recusada por uma grande editora. Só nos anos 1950 o livro começou a ser lido de verdade.
Além do testemunho, Levi escreveu sobre química, trabalho e ciência, e foi um dos primeiros a pensar a “zona cinzenta”: o espaço moral confuso entre vítimas e algozes dentro do campo.
Principais obras
- É Isto um Homem? (1947). O relato dos meses em Auschwitz, um dos livros mais importantes do século XX.
- A Trégua (1963). A longa e quase picaresca viagem de volta para casa, pelo Leste Europeu, depois da libertação.
- A Tabela Periódica (1975). Vinte e um contos, cada um com o nome de um elemento químico, que misturam memória e ciência.
- Se Não Agora, Quando? (1982). Romance sobre um grupo de guerrilheiros judeus na Europa Oriental durante a guerra.
- Os Afogados e os Sobreviventes (1986). Ensaios em que Levi volta ao campo para pensar a memória, a culpa e a zona cinzenta.
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