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Como ler Graciliano Ramos: a secura que diz tudo

Graciliano Ramos nasceu em 1892 em Quebrangulo, Alagoas, e cresceu no sertão de Pernambuco e de Alagoas. Teve uma infância dura, com pais severos, e aprendeu cedo a desconfiar das palavras bonitas.

Foi comerciante e prefeito de Palmeira dos Índios. Os relatórios que mandava ao governador eram tão bem escritos que chamaram a atenção de um editor, e foi assim que o romancista apareceu.

Comparava a escrita ao trabalho das lavadeiras de Alagoas, que molham, torcem e batem a roupa até não sobrar uma gota. Sua prosa é assim: seca, exata, sem enfeite, e por isso mesmo forte.

Por onde começar: Vidas Secas.

Contexto histórico e cultural

Graciliano faz parte do chamado romance de 30, a geração que levou o Nordeste, a seca, a miséria e as relações de poder do interior para o centro da literatura brasileira.

Em 1936, durante a repressão do governo Vargas, foi preso sem nenhuma acusação formal e passou quase um ano em presídios, inclusive na Ilha Grande. A experiência virou Memórias do Cárcere.

Mais do que retratar o Nordeste, seus livros perguntam o que a pobreza, a violência e o poder fazem com a cabeça das pessoas.

Principais obras

  • Caetés (1933). O primeiro romance, sobre a vida mesquinha de uma cidade do interior de Alagoas.
  • São Bernardo (1934). Paulo Honório conta como conquistou uma fazenda e perdeu tudo o que importava.
  • Angústia (1936). Monólogo sufocante de um funcionário público consumido pelo ciúme e pelo rancor.
  • Vidas Secas (1938). Fabiano, Sinhá Vitória, os dois meninos e a cachorra Baleia fugindo da seca. Uma obra-prima em poucas páginas.
  • Memórias do Cárcere (1953). O relato da prisão em 1936, publicado logo após a morte do autor.

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