Como ler Toni Morrison: a memória dos afro-americanos contada por dentro
Toni Morrison nasceu Chloe Wofford, em 1931, em Lorain, uma cidade operária de Ohio. O pai era soldador, a mãe cantava na igreja, e em casa se contavam histórias de fantasmas e lendas do Sul, de onde a família tinha vindo.
Estudou na Universidade Howard, em Washington, e depois em Cornell. Trabalhou como editora numa grande editora de Nova York, onde publicou autoras e autores negros, e criou dois filhos sozinha, escrevendo de madrugada.
O primeiro romance, O Olho Mais Azul, saiu em 1970, quando ela tinha 39 anos. Amada, de 1987, ganhou o Pulitzer. Em 1993, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, a primeira mulher negra a conquistá-lo. Morreu em 2019.
Por onde começar: O Olho Mais Azul.
Contexto histórico e cultural
Morrison escreveu sobre a história dos afro-americanos, da escravidão ao século XX, sempre de dentro da comunidade negra. Ela dizia que não queria explicar nada ao leitor branco, e sim escrever para a sua própria gente.
Amada parte de um caso real: Margaret Garner, uma mulher escravizada que fugiu com os filhos em 1856 e, quando foi capturada, preferiu matar uma das filhas a vê-la voltar para a escravidão.
Seus romances misturam realismo e o sobrenatural, a oralidade, a música e a memória coletiva. Ela também foi professora em Princeton e uma ensaísta importante sobre raça e literatura.
Principais obras
- O Olho Mais Azul (1970). Uma menina negra reza para ter olhos azuis e ser amada. Curto e devastador, ótimo para começar.
- Sula (1973). A amizade entre duas mulheres de um bairro negro de Ohio, ao longo de décadas.
- A Canção de Solomon (1977). Um homem parte em busca da história da família e descobre as próprias raízes.
- Amada (1987). Anos depois da fuga, uma ex-escravizada é visitada pelo fantasma da filha morta. Prêmio Pulitzer.
- Jazz (1992). Um crime passional no Harlem dos anos 1920, contado no ritmo da música do título.
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