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Como ler James Baldwin: a raça, o desejo e a coragem de dizer

James Baldwin nasceu no Harlem, em Nova York, em 1924, o mais velho de nove irmãos. Cresceu pobre, com um padrasto pregador e severo, e aos 14 anos ele mesmo virou pregador numa pequena igreja pentecostal.

Saiu da igreja, trabalhou em empregos ruins e, em 1948, cansado do racismo americano, comprou uma passagem para Paris com pouquíssimo dinheiro no bolso. Ali, terminou o primeiro romance, publicado em 1953, sobre um adolescente do Harlem e a igreja do padrasto.

Viveu entre a França, a Turquia e os Estados Unidos, para onde voltava para participar da luta pelos direitos civis. Foi amigo de Martin Luther King, Malcolm X e Medgar Evers, e viu os três serem assassinados. Morreu na França, em 1987.

Por onde começar: Da Próxima Vez, o Fogo.

Contexto histórico e cultural

Baldwin escreveu nos anos da segregação racial e do movimento pelos direitos civis. Seus ensaios, como os de Da Próxima Vez, o Fogo, de 1963, explicaram a muitos americanos brancos o que era ser negro no país.

Também escreveu abertamente sobre o amor entre homens, numa época em que isso era quase impossível. O Quarto de Giovanni, de 1956, tem só personagens brancos, e a editora que publicava Baldwin recusou o livro, com medo de que ele arruinasse a carreira do autor.

Nos últimos anos, a obra voltou com força, com o documentário Eu Não Sou Seu Negro, de 2016, feito a partir de um livro que ele deixou inacabado, e com novas traduções no Brasil.

Principais obras

  • Notas de um Filho Nativo (1955). Os primeiros ensaios, sobre o Harlem, o pai, Paris e o racismo.
  • O Quarto de Giovanni (1956). Em Paris, um jovem americano noivo se apaixona por um barman italiano.
  • Terra Estranha (1962). Músicos, escritores e amantes em Nova York, atravessando as fronteiras de raça e de desejo.
  • Da Próxima Vez, o Fogo (1963). Dois ensaios em forma de carta sobre raça, religião e o futuro dos Estados Unidos. O começo ideal.
  • Se a Rua Beale Falasse (1974). Uma jovem grávida luta para provar a inocência do noivo, preso injustamente.

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