Como ler Emily Dickinson: a poeta que guardou quase dois mil poemas na gaveta
Emily Dickinson nasceu em 1830 em Amherst, uma cidade pequena de Massachusetts, numa família importante: o avô ajudou a fundar a faculdade local, e o pai foi advogado e deputado. Estudou um ano num seminário para moças e voltou para casa.
Com o tempo, foi saindo cada vez menos. Nos últimos anos, quase não deixava a casa, vestia-se de branco e falava com algumas visitas através da porta. Mas mantinha uma correspondência intensa com amigos, familiares e escritores.
Escreveu quase dois mil poemas, publicou menos de dez em vida, sem assinatura, e morreu em 1886. A irmã, Lavinia, encontrou os poemas guardados numa cômoda, muitos deles copiados e costurados à mão em pequenos cadernos.
Por onde começar: Poemas (antologia bilíngue).
Contexto histórico e cultural
Dickinson viveu o século XIX americano, com a Guerra Civil, os debates religiosos e o puritanismo da Nova Inglaterra. Recusou a fé da família, mas a morte, Deus e a eternidade continuaram no centro dos seus poemas.
Seus poemas são curtos, cheios de travessões, maiúsculas inesperadas e rimas imperfeitas. Os primeiros editores, em 1890, corrigiram a pontuação e as rimas para deixar tudo “normal”. Só em 1955 os poemas foram publicados como ela os escreveu.
No Brasil, foi traduzida por poetas como Augusto de Campos e Aíla de Oliveira Gomes. Ler em edição bilíngue ajuda a sentir o som original, que é parte essencial da sua poesia.
Principais obras
- Poemas (1890). A primeira coletânea, publicada quatro anos depois da sua morte, com o texto ainda corrigido pelos editores.
- Os Poemas de Emily Dickinson (1955). A edição de Thomas Johnson, a primeira a reunir os poemas como ela os deixou, com os travessões.
- Não Sou Ninguém (2008). Seleção bilíngue traduzida por Augusto de Campos. Uma ótima porta de entrada em português.
- Cartas (1958). As cartas a amigos e escritores, que mostram outra face da poeta, viva e bem-humorada.
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