Como ler Alexandre Dumas: mosqueteiros, vinganças e o folhetim
Alexandre Dumas nasceu em 1802 em Villers-Cotterêts, uma cidade pequena ao norte de Paris. O pai, Thomas-Alexandre Dumas, nasceu em São Domingos, a colônia francesa que hoje é o Haiti, filho de um marquês francês e de uma mulher africana escravizada, e chegou a general dos exércitos da Revolução Francesa.
O general morreu quando o filho tinha quatro anos, e a família ficou pobre. Aos 20, Dumas foi para Paris com quase nada no bolso e conseguiu um emprego de copista com o duque de Orléans graças à sua bela caligrafia. À noite, escrevia peças de teatro.
Em 1829, o drama Henrique III e Sua Corte foi um sucesso e fez dele um dos nomes do teatro romântico. Mas a fama mundial veio com os romances publicados em capítulos nos jornais, a partir de 1844: Os Três Mosqueteiros e O Conde de Monte Cristo.
Por onde começar: O Conde de Monte Cristo.
Contexto histórico e cultural
Dumas viveu o auge do folhetim, o romance publicado em pedaços no rodapé dos jornais, que fazia os leitores comprarem o jornal do dia seguinte para saber o que ia acontecer. Ele dominou como ninguém o corte no momento mais tenso.
Escrevia muito, com a ajuda de colaboradores, sobretudo Auguste Maquet, que pesquisava a história e preparava esboços. Dumas dava vida aos diálogos, ao humor e ao ritmo. Ganhou fortunas, construiu um castelo que chamou de Monte Cristo e gastou tudo, morrendo endividado em 1870.
Enfrentou o racismo durante toda a vida, por causa da avó africana. Em 2002, seus restos foram levados ao Panteão de Paris, onde estão os grandes nomes da França. No Brasil, seus folhetins chegavam traduzidos nos jornais do Rio poucos anos depois de sair na França, e influenciaram os primeiros romancistas brasileiros.
Principais obras
- Os Três Mosqueteiros (1844). D'Artagnan chega a Paris e se junta a Athos, Porthos e Aramis contra o cardeal Richelieu.
- O Conde de Monte Cristo (1844-1846). Preso injustamente por catorze anos, Edmond Dantès foge, encontra um tesouro e planeja a vingança. O começo ideal.
- Vinte Anos Depois (1845). A continuação dos Mosqueteiros, já mais velhos, no meio das guerras civis da França.
- A Rainha Margot (1845). Intrigas e massacres na corte francesa durante as guerras de religião do século XVI.
- O Visconde de Bragelonne (1847-1850). O fim da saga dos mosqueteiros, que inclui a história do Homem da Máscara de Ferro.
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