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Como ler Jorge Luis Borges: labirintos, espelhos e bibliotecas infinitas

Jorge Luis Borges nasceu em Buenos Aires, em 1899, numa família de militares e intelectuais. A avó paterna era inglesa, e ele aprendeu inglês antes do espanhol. Dizia que o fato mais importante da sua vida tinha sido a biblioteca do pai.

Em 1914, a família foi para a Suíça e ficou presa na Europa durante a Primeira Guerra. Borges estudou em Genebra, viveu na Espanha, participou das vanguardas e voltou a Buenos Aires em 1921. Começou como poeta, cantando os bairros e os subúrbios da cidade.

No fim de 1938, depois de um acidente na cabeça que quase o matou, passou a escrever os contos fantásticos que o tornariam famoso, reunidos em Ficções, de 1944, e O Aleph, de 1949. Morreu em Genebra, em 1986.

Por onde começar: Ficções.

Contexto histórico e cultural

Borges trabalhou anos numa biblioteca municipal de bairro. Em 1946, o governo de Perón, de quem era opositor, o “promoveu” a inspetor de aves e coelhos nos mercados, e ele pediu demissão. Em 1955, depois da queda de Perón, foi nomeado diretor da Biblioteca Nacional, quando já estava quase cego.

Seus contos são curtos, cheios de falsas citações, livros inventados e enciclopédias imaginárias. Falam de labirintos, espelhos, tigres, sonhos e do infinito. Ele borrou de vez a fronteira entre ficção e ensaio.

A fama internacional veio em 1961, quando dividiu um prêmio europeu com Samuel Beckett. Nunca ganhou o Nobel, ausência lembrada até hoje. Escritores do mundo inteiro, de García Márquez a Umberto Eco, reconhecem a dívida com ele.

Principais obras

  • História Universal da Infâmia (1935). Biografias de bandidos e impostores, meio verdadeiras, meio inventadas. O primeiro livro de prosa narrativa.
  • Ficções (1944). Contos como O Jardim de Caminhos que se Bifurcam e A Biblioteca de Babel. O começo ideal.
  • O Aleph (1949). Contos sobre a imortalidade, o tempo e um ponto que contém todos os pontos do universo.
  • Outras Inquisições (1952). Ensaios curtos sobre livros, autores e ideias, tão inventivos quanto os contos.
  • O Livro de Areia (1975). Contos da maturidade, entre eles a história de um livro que não tem começo nem fim.

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