Martha Vieira: Araguaína entre a história e o conto
Martha Vieira chegou a Araguaína em 2002, por causa de um convite, feito por email, para trabalhar na Unitins. Tal convite veio em boa hora, pois apareceu uns dois meses antes de ela defender o mestrado na Unesp, em Franca. Nascida em Juquitiba, no interior de São Paulo, ela veio e ficou. Com o tempo, a cidade de Araguaína e o estado do Tocantins começaram a aparecer nas suas produções.
A historiadora e a contista dividem o mesmo endereço. Como pesquisadora da história de Goiás e do Tocantins, Martha escreve a partir daqui e procura dar visibilidade a processos que a historiografia brasileira pouco visitou. Desse trabalho saiu A Cobiça do Poder: a época da independência em Goiás e Tocantins, publicado pela Paco Editorial, em 2023. Nos últimos anos, a paisagem urbana de Araguaína entrou tanto na pesquisa quanto na ficção.
A literatura, no entanto, chegou antes da academia. Martha escreve desde os 11 anos, por gosto, sem se prender a regras ou manuais. Em 1998, quando terminou a graduação em história, reuniu esses textos num encadernado e o guardou junto com o encadernado da monografia. Desde então, os dois caminhos andam lado a lado, sobretudo após a sua entrada na Academia de Letras de Araguaína (Acalanto), em 2021. Na academia, ocupa a Cadeira 24, que tem Clarice Lispector como patrona.
As histórias nascem do cotidiano: uma notícia, algo vivido, um sentimento que insiste. Saudade, amor, tristeza, inquietação social. Ela já participou de várias coletâneas e publicou dois livros de contos pela Fontenele Publicações: Esqueça o Tempo, com colagens de Lia Testa (2024), e A Casa de Lurdes: Contos da Melhor Idade (2024). Para quem vai começar, a própria autora indica o segundo.
Nas leituras, Martha gosta de variar. Entre os livros que cita estão Torto Arado, de Itamar Vieira Junior, O canto da carpideira, de Lita Maria, 1984, de George Orwell, e o Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles.
Na gaveta, possui anotações de um romance histórico sobre o norte goiano no século XIX. Falta só o tempo livre para que ele saia de lá.
Os livros
A Casa de Lurdes: Contos da Melhor Idade (2024)

“O melhor lugar para os idosos é em sua própria casa, com sua própria família. A Casa de Lurdes, não obstante todos os cuidados, não substitui o carinho do lar familiar, onde estão as memórias e as coisas pessoais, que são preciosos legados à medida que as pessoas envelhecem. Olhar o ambiente e se reconhecer nele é fundamental para a pessoa se sentir melhor. As doenças do corpo, muitas vezes, começam na alma.”
Contos. Fontenele Publicações. Vendido direto pela autora: martha.vieira@ufnt.edu.br.
Esqueça o Tempo (2024)

“O tempo é como um maestro exigente que, com a batuta na mão, orienta e desorienta a humanidade. Quando somos mais jovens, acompanhamos melhor a batuta. Os erros no compasso não nos incomodam, viram até inovações. Mas conforme a idade avança, geralmente, somente repetimos os ritmos de outrora, os ponteiros do relógio são percebidos pelo estômago. Já não ouvimos bem, nem vemos direito a batuta, que continua, como um vulto distante, em um movimento incessante.”
Contos, com colagens de Lia Testa. Fontenele Publicações. Vendido direto pela autora: martha.vieira@ufnt.edu.br.
A Cobiça do Poder: a época da independência em Goiás e Tocantins (2023)

História. Paco Editorial, assinado como Martha Victor Vieira. Ver na Amazon.
Teatro dos Sentimentos

Teatro. Ideia Editora. Reúne, entre outros textos, A Rebelião dos Sentimentos, sobre as emoções humanas, e a sátira Soberana Ignorância, sobre os radicalismos políticos. O e-book é gratuito no site da editora: baixar na Ideia Editora.
Para comprar A Casa de Lurdes e Esqueça o Tempo, escreva direto para a autora. Os valores são confirmados por e-mail.
No Instagram: @marthavieira9.
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