Marco Aurélio Jacob segurando o livro Algemas da Paixão
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Marco Aurélio Jacob: o Tocantins das festas, da fé e dos povos originários

Marco Aurélio Jacob nasceu em Curitiba e vive em Palmas desde 2011. Publicitário, escritor, indigenista e sócio fundador da Gazeta do Cerrado. Presidente da Federação Brasileira de Jornalistas e Comunicadores de Turismo do Tocantins (Febtur-TO), membro da Academia Leonística de Ciências, Artes e Letras (ALCAL) e da Academia Palmense de Letras (APL).

De onde escreve

Pesquisa os povos originários desde 2001, quando fez seu primeiro documentário, Homem Guarani. Ao chegar ao Tocantins, viu a chance de aprender mais e se aprofundar no tema, porque aqui os territórios e as etnias estão muito mais preservados do que no Paraná.

Esse contato inspirou a nova fase de seu trabalho e trouxe uma nova forma de enfrentar a questão do preconceito aos povos originários: através do lúdico, adaptando a mitologia indígena brasileira para histórias em quadrinhos voltadas às crianças e às novas gerações.

O Tocantins também chega a ele pelo turismo, como um fator de influência em seu trabalho. Pesquisa festas populares e religiosas, Suça, Catira, os sabores das frutas, das paisagens e do jeito próprio de cada região do Cerrado.

O começo

Na infância, a escola incentivava muito a escrita e a criatividade. Alguns textos lidos para a turma entravam na antologia da escola, e quando os dele eram escolhidos, mesmo sem entender direito o que aquilo significava, sentia a escrita como possibilidade de ecoar as histórias nas pessoas.

Cursou Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda. Ali, o que gostava de escrever eram roteiros de cinema, para documentários e ficção, explorando a descrição de cenas que um dia poderiam virar realidade.

O texto de que mais gostou de escrever até hoje é Algemas da Paixão, seu primeiro romance policial. Nele entram as festas religiosas e a cultura do Tocantins: como a Romaria do Senhor do Bonfim, em Natividade, e Dona Romana, a querida mãe de santo de Natividade, que inspirou uma personagem da história. Entram também elementos da cultura afro-brasileira, forte no estado, como a capoeira, a benzedeira, a promessa e a peregrinação.

O que vem por aí

Está terminando uma série de histórias em quadrinhos sobre mitologia indígena brasileira, o projeto MIB, aprovado pela Lei Rouanet Norte. A ideia é contar ao menos uma lenda, cosmologia ou cosmogonia em cada edição, e cada uma dá prioridade a um povo.

Esta primeira leva tem dez edições, e faltam três para ele terminar de escrever. Mas o projeto não tem data para acabar: são tantas histórias que, nas palavras dele, precisa ser plural e contar com mais gente.

A quem está começando, aconselha deixar a mente fluir: pensar na história e deixar que ela venha, visualizando as cenas, os sentimentos, de onde a personagem vem, para onde vai e com que carga emocional chega. Se vier um bloqueio, a dica é ler um livro de algum mestre, de preferência da área ou do assunto sobre o qual se quer escrever, porque isso abre os caminhos da percepção.

Os livros

Algemas da Paixão (2022)

Capa de Algemas da Paixão, de Marco Aurélio Jacob

Romance policial escrito como um roteiro de longa-metragem de ficção: um thriller de ação e aventura com um triângulo amoroso para apimentar a história. Um carcereiro se apaixona por uma detenta, assume o risco e se casa com ela, uma mulher acusada de matar o marido, mestre de capoeira, com a ajuda do amante, seu contramestre.

O livro aborda questões sensíveis como a violência contra a mulher, a violência e a violação prisional, o julgamento do crime (de facções dentro da cadeia) e o drama psicológico de uma transição religiosa: o personagem é obrigado a deixar sua religião de matriz africana para se tornar evangélico em busca de proteção. A história é inspirada em fatos reais ocorridos no Tocantins. Publicado com apoio da Lei Aldir Blanc.

Onde comprar: nas livrarias GEP e Leitura, em Palmas, e na Livrarias Curitiba. São as últimas unidades da primeira edição.

Alegoria do Corona (vírus): seja o Batman que o seu entorno precisa! (2020)

Capa do e-book Alegoria do Corona (vírus), de Marco Aurélio Jacob

E-book escrito durante a pandemia. Faz uma analogia entre o mito da caverna, de Platão, a suspeita de que o vírus tenha saído de uma caverna de morcegos e as casas onde as pessoas precisavam ficar no isolamento. Fala também da responsabilidade dos adultos, sobretudo dos pais, de serem a voz da razão e da segurança dentro de casa, ligando o morcego da caverna ao Batman. Um jeito divertido de falar do vírus sem enlouquecer na pandemia, com ilustrações do amigo Geuvar Oliveira.

Ler o e-book gratuito, publicado pela Gazeta do Cerrado.

Manual de Redação de Turismo (2024)

Para jornalistas, comunicadores, instagramers e blogueiros que escrevem sobre turismo nas redes sociais e em sites. Reúne as informações que não podem faltar numa matéria ou na divulgação de um lugar, uma prefeitura, um restaurante, um destino ou uma região.

A caminho: MIB · Mitologia Brasileira (2026)

Capa de MIB: O Conselho dos Anciões, de Marco Jacob, Fernando Dep e Caroline Kawany

Série de dez histórias em quadrinhos, com apoio da Lei Rouanet Norte. A primeira edição, O Conselho dos Anciões, assinada por Marco Jacob, Fernando Dep e Caroline Kawany, abre a saga de Smikidi, a Nossa Senhora que se transforma em onça e tem como missão ser a guardiã das histórias.

No Instagram: @marcojacobbrasil e @atelieraizescriativas.

Este perfil faz parte das Vozes do Tocantins, o espaço da Latitude Literária para quem escreve a partir do estado.

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