Como ler Wisława Szymborska: a poesia do espanto diante das coisas simples
Wisława Szymborska nasceu em 1923 numa aldeia perto de Poznań, no oeste da Polônia, e se mudou ainda criança para Cracóvia, a cidade onde viveu o resto da vida. Durante a ocupação nazista, estudou em aulas clandestinas e trabalhou numa ferrovia para não ser mandada para a Alemanha.
Depois da guerra, trabalhou por quase trinta anos numa revista literária de Cracóvia, onde também assinava resenhas bem-humoradas de livros que quase ninguém resenhava: manuais de jardinagem, guias de etiqueta, livros sobre insetos.
Publicou pouco, cerca de 350 poemas em toda a vida. Quando perguntavam por quê, dizia que tinha uma lata de lixo em casa. Em 1996, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, e a fama repentina a deixou mais incomodada do que feliz.
Por onde começar: Poemas.
Contexto histórico e cultural
Szymborska atravessou a ocupação nazista, o stalinismo, a Polônia comunista e a volta da democracia em 1989. No começo da carreira, escreveu poemas de acordo com o realismo socialista exigido pelo regime, e mais tarde renegou esses livros.
A partir de Chamando por Yeti, de 1957, encontrou a sua voz: poemas curtos, irônicos, de vocabulário simples, que partem de um objeto ou de uma cena qualquer e terminam em perguntas enormes sobre o acaso, a história e a morte.
No Brasil, a tradução de Regina Przybycien, publicada a partir de 2011, revelou a poeta a muitos leitores. Ela morreu em Cracóvia, em 2012, e se tornou uma das poetas mais lidas do século XX.
Principais obras
- Poemas (2011). Antologia brasileira com uma seleção de toda a obra. A melhor porta de entrada.
- Chamando por Yeti (1957). O livro em que ela abandona o realismo socialista e encontra a própria voz.
- Gente na Ponte (1986). Poemas sobre a história, o tempo e a arte, entre eles o que dá título ao livro.
- Fim e Começo (1993). O livro que antecede o Nobel, com poemas sobre a guerra e o que vem depois dela.
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