Como ler Elena Ferrante: a amizade, Nápoles e o rosto que ninguém conhece
Elena Ferrante é um pseudônimo. Desde o primeiro livro, Um Amor Incômodo, de 1992, a autora decidiu que os livros deviam falar sozinhos e que ela não apareceria em fotos, lançamentos ou entrevistas presenciais. Responde a perguntas apenas por escrito.
O que se sabe vem dos próprios livros: uma escritora ligada a Nápoles, que conhece de perto a vida dos bairros pobres da cidade e o peso que a família, a violência e o dinheiro exercem sobre as mulheres.
A fama mundial chegou com a série napolitana, publicada entre 2011 e 2014. São quatro romances sobre Lenu e Lila, duas amigas que crescem no mesmo bairro e seguem caminhos muito diferentes, e que se amam e se ferem por mais de sessenta anos.
Por onde começar: A Amiga Genial.
Contexto histórico e cultural
A série napolitana atravessa a Itália do pós-guerra até o começo do século XXI: a pobreza dos anos 1950, a escola como saída, o milagre econômico, os protestos operários e estudantis dos anos 1970 e a Camorra sempre ao fundo.
O sucesso, chamado de “febre Ferrante”, levou a uma série de TV da HBO a partir de 2018 e ao filme A Filha Perdida, de 2021. Em 2016, uma reportagem tentou revelar a identidade da autora, e muitos leitores reagiram mal à invasão.
Ferrante escreve sobre a amizade feminina sem doçura, sobre a maternidade sem idealização e sobre a raiva das mulheres sem pedir desculpas. É por isso que os seus livros incomodam e prendem tanto.
Principais obras
- A Amiga Genial (2011). O primeiro volume da série napolitana: a infância e a adolescência de Lenu e Lila.
- História do Novo Sobrenome (2012). O segundo volume, com o casamento de Lila e os estudos de Lenu.
- História de Quem Foge e de Quem Fica (2013). O terceiro volume, entre as fábricas e os protestos dos anos 1970.
- História da Menina Perdida (2014). O último volume, sobre a maturidade, a fama e um desaparecimento.
- Dias de Abandono (2002). Uma mulher abandonada pelo marido desmorona, aos poucos, dentro do próprio apartamento.
- A Filha Perdida (2006). Nas férias, uma professora observa uma jovem mãe e se lembra das próprias escolhas.
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