Como ler Svetlana Aleksiévitch: a escritora que ouve as vozes da história
Svetlana Aleksiévitch nasceu em 1948 em Ivano-Frankivsk, na Ucrânia, filha de pai bielorrusso e mãe ucraniana. Cresceu numa aldeia da Bielorrússia, onde quase todas as famílias tinham perdido alguém na Segunda Guerra, e as mulheres passavam as noites contando o que tinham vivido.
Formou-se em jornalismo e decidiu fazer da escuta o seu método. Para cada livro, gravou centenas de entrevistas e depois montou os depoimentos como um grande coro, deixando que as pessoas falem com as próprias palavras.
Em 2015, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, algo raro para quem escreve não ficção. Crítica dos governos autoritários da Bielorrússia, deixou o país em 2020, depois dos protestos contra a reeleição de Lukashenko.
Por onde começar: A Guerra Não Tem Rosto de Mulher.
Contexto histórico e cultural
Seus livros formam uma história íntima da União Soviética, do que ela chama de “homem vermelho”: a Segunda Guerra, a guerra do Afeganistão, o acidente nuclear de Tchernóbil, o fim da URSS e os anos difíceis que vieram depois.
A Guerra Não Tem Rosto de Mulher, terminado em 1983, ficou dois anos sem ser publicado porque a censura achava que ele manchava a imagem heroica da guerra. Quase um milhão de mulheres soviéticas lutaram na Segunda Guerra, e quase ninguém tinha perguntado a elas como foi.
Ela escreve em russo, e o seu gênero, o “romance de vozes”, fica entre o jornalismo, a história oral e a literatura. No Brasil, toda a obra principal está traduzida direto do russo.
Principais obras
- A Guerra Não Tem Rosto de Mulher (1985). Mulheres que lutaram na Segunda Guerra contam o que os livros de história não contaram. O começo ideal.
- As Últimas Testemunhas (1985). A Segunda Guerra lembrada por quem era criança naquela época.
- Meninos de Zinco (1989). Soldados e mães falam da guerra soviética no Afeganistão. O título vem dos caixões de zinco.
- Vozes de Tchernóbil (1997). Moradores, bombeiros e viúvas contam a vida depois do acidente nuclear de 1986.
- O Fim do Homem Soviético (2013). O fim da URSS e os anos seguintes narrados por gente comum.
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