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Como ler Salman Rushdie: histórias que atravessam fronteiras

Salman Rushdie nasceu em Bombaim, hoje Mumbai, em junho de 1947, dois meses antes da independência da Índia. Fez dessa coincidência o ponto de partida do seu romance mais famoso.

Seus livros misturam mito, sátira, política e histórias dentro de histórias, sempre falando de migração, identidade, memória e liberdade de expressão. Os Versos Satânicos, de 1988, provocaram uma condenação à morte decretada pelo Irã, e o autor passou anos escondido.

Nunca deixou de escrever, e continua sendo um dos nomes centrais da literatura de língua inglesa.

Por onde começar: Os Filhos da Meia-Noite.

Contexto histórico e cultural

Rushdie nasceu no ano da independência indiana e da Partição, que separou o Paquistão da Índia, deslocou milhões de pessoas e deixou feridas religiosas profundas.

Na segunda metade do século XX, a migração, o fim dos impérios e a globalização fizeram muita gente viver entre duas ou três culturas. Rushdie é uma dessas pessoas e transformou essa experiência em literatura.

Suas histórias juntam as tradições narrativas do Oriente e do Ocidente, como as Mil e Uma Noites e o romance europeu, e mostram sociedades misturadas, onde ninguém é de um lugar só.

Principais obras

  • Os Filhos da Meia-Noite (1981). Considerado seu romance mais importante. Narra a história da Índia independente através de personagens nascidos no momento da independência.
  • Vergonha (1983). Romance inspirado na história política do Paquistão.
  • Os Versos Satânicos (1988). Obra que provocou intenso debate internacional sobre liberdade de expressão e religião.
  • O Último Suspiro do Mouro (1995). Saga familiar que percorre séculos da história indiana.
  • Quichotte (2019). Releitura contemporânea do clássico de Cervantes em um contexto globalizado.

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