Como ler Ondjaki: a Luanda vista pelos olhos de um menino
Ondjaki é o nome literário de Ndalu de Almeida, nascido em Luanda em 1977, dois anos depois da independência de Angola. Passou a infância numa capital em guerra, com professores cubanos na escola e filas para comprar quase tudo.
Essa infância é o assunto de muitos dos seus livros, contados pelos olhos de um menino que não entende tudo, mas percebe muito. Escreve poesia, contos, romances e livros infantis, e inventa palavras com a liberdade de quem brinca.
Recebeu o Prêmio Jabuti em 2010, na categoria juvenil, e o Prêmio José Saramago em 2013, por Os Transparentes.
Por onde começar: Bom Dia Camaradas.
Contexto histórico e cultural
Ondjaki pertence à primeira geração que nasceu numa Angola independente. Cresceu durante a guerra civil e sob um governo de partido único inspirado no socialismo.
Sua literatura olha para esses anos com ternura e humor, sem esconder a falta, o medo e o absurdo. Depois, acompanha a Luanda do petróleo, dos arranha-céus e da desigualdade.
Herdeiro de escritores como Luandino Vieira e da literatura brasileira, que leu muito, Ondjaki mistura a fala das ruas de Luanda ao português literário.
Principais obras
- Bom Dia Camaradas (2001). Um menino de Luanda, a escola com professores cubanos e um país que tenta ser socialista.
- Quantas Madrugadas Tem a Noite (2004). Uma noite de conversa num bar de Luanda, cheia de histórias e invenções de linguagem.
- Os da Minha Rua (2007). Contos curtos sobre os vizinhos, os amigos e as descobertas da infância.
- AvóDezanove e o Segredo do Soviético (2008). A avó, os amigos e um mausoléu soviético que vai mudar o bairro. Prêmio Jabuti de 2010.
- Os Transparentes (2012). Uma Luanda em transformação, onde um homem começa a ficar transparente. Prêmio José Saramago de 2013.
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