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Como ler Mia Couto: a língua portuguesa reinventada em Moçambique

António Emílio Leite Couto, o Mia Couto, nasceu em 1955 na Beira, em Moçambique. É biólogo e foi jornalista, e talvez por isso olhe para a língua como quem olha para um organismo vivo: inventa palavras, mistura ditados, deixa a fala do povo entrar no texto.

Seus livros juntam a oralidade africana, a imaginação poética e uma língua portuguesa que parece nova em folha. Neles estão as memórias, os mitos e as feridas do Moçambique depois da independência.

É hoje um dos autores mais lidos e premiados da língua portuguesa.

Por onde começar: Terra Sonâmbula.

Contexto histórico e cultural

Moçambique conquistou a independência de Portugal em 1975 e, logo depois, mergulhou numa guerra civil longa e devastadora. É dessa história que nasce a literatura de Mia Couto.

Depois da guerra, o país precisou discutir quem era, como se reconstruir e o que fazer com tantas línguas e culturas. Mia Couto escreve no meio dessa conversa, juntando o que veio da África e o que veio de Portugal.

Nos seus livros, crenças populares, mitos e histórias contadas à beira do fogo valem tanto quanto os documentos oficiais para entender o país.

Principais obras

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