Como ler Rainer Maria Rilke: o poeta das coisas, dos anjos e das cartas
René Maria Rilke nasceu em Praga, em 1875, quando a cidade fazia parte do Império Austro-Húngaro. Os pais o mandaram para uma escola militar, que ele odiou. Saiu de lá decidido a ser poeta, e mudou o nome para Rainer por sugestão de Lou Andreas-Salomé, a mulher que foi sua amante e amiga.
Com ela, viajou duas vezes à Rússia, uma experiência que marcou a sua poesia. Em Paris, trabalhou como secretário do escultor Auguste Rodin e aprendeu com ele a olhar para as coisas com paciência, até que elas se revelassem.
Viveu sem casa fixa, de cidade em cidade, sustentado por amigos e mecenas. Entre 1903 e 1908, respondeu às cartas de um jovem cadete que queria ser poeta. Essas dez cartas, publicadas depois da sua morte, viraram um livro amado por gerações de leitores.
Por onde começar: Cartas a um Jovem Poeta.
Contexto histórico e cultural
Rilke escreveu entre o fim do século XIX e a Primeira Guerra, uma época de crise religiosa e de grandes mudanças na arte, quando pintores e poetas buscavam novas formas de ver.
Nos Novos Poemas, criou os “poemas-coisa”: retratos precisos de uma pantera, uma fonte, um torso de Apolo. Depois, começou as Elegias de Duíno num castelo à beira do Adriático, em 1912, e só conseguiu terminá-las dez anos depois, numa torre na Suíça.
Nesse mesmo fevereiro de 1922, escreveu também os Sonetos a Orfeu, quase de uma vez. Morreu na Suíça, em 1926, aos 51 anos. Sua poesia sobre a solidão, a morte e a transformação continua entre as mais traduzidas da língua alemã.
Principais obras
- Cartas a um Jovem Poeta (1929). Dez cartas sobre solidão, paciência, amor e escrita. A melhor porta de entrada.
- Novos Poemas (1907-1908). Os poemas-coisa, como A Pantera, escritos sob a influência de Rodin.
- Os Cadernos de Malte Laurids Brigge (1910). O único romance: um jovem poeta dinamarquês, sozinho e pobre em Paris, anota medos e lembranças.
- Elegias de Duíno (1923). Dez elegias sobre os anjos, a morte e o lugar do ser humano no mundo. Exigentes e magníficas.
- Sonetos a Orfeu (1923). Cinquenta e cinco sonetos escritos quase de uma vez, em homenagem a uma jovem que morreu cedo.
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