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Como ler Ngũgĩ wa Thiong’o: a língua como resistência

Ngũgĩ wa Thiong'o começou escrevendo em inglês e foi aclamado assim. Um dia, decidiu parar. Passou a escrever em gikuyu, a língua do seu povo, convencido de que um país só se liberta de verdade quando volta a pensar na própria língua.

Seus livros tratam do colonialismo britânico no Quênia, da luta pela independência e das desigualdades que vieram depois dela.

A decisão de trocar de idioma fez dele um nome de referência nos estudos pós-coloniais em todo o mundo.

Por onde começar: Um Grão de Trigo.

Contexto histórico e cultural

Ngũgĩ nasceu em 1938, num Quênia ocupado pelos britânicos, e cresceu em meio aos conflitos pela terra e aos movimentos de libertação nacional.

Depois da independência, muitos intelectuais africanos se perguntaram que lugar a língua do colonizador deveria ocupar na nova nação. Ngũgĩ respondeu com a própria obra: para ele, a descolonização também precisava acontecer na cultura e nas palavras.

Seus romances recuperam tradições africanas e questionam as estruturas econômicas e políticas que os ingleses deixaram para trás.

Principais obras

  • Não Chores, Criança (1964). Primeiro romance importante do autor, ambientado durante a luta anticolonial no Quênia.
  • Um Grão de Trigo (1967). Examina as consequências humanas da independência queniana.
  • Petals of Blood (1977). Crítica das desigualdades surgidas após a independência.
  • O Diabo na Cruz (1980). Escrito originalmente em gikuyu, denuncia corrupção e exploração econômica.

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