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Como ler José Saramago: o Nobel que aprendeu a escrever tarde

José Saramago nasceu em 1922 em Azinhaga, uma aldeia do Ribatejo, filho de camponeses sem terra. Por falta de dinheiro, deixou o liceu e aprendeu o ofício de serralheiro mecânico. Foi depois funcionário público, tradutor e jornalista.

Só se dedicou de vez à literatura perto dos 60 anos, e foi então que encontrou o seu jeito de escrever: parágrafos longos, diálogos sem travessão, vírgulas no lugar de pontos e um narrador que comenta tudo com ironia.

Em 1998, tornou-se o primeiro escritor de língua portuguesa a receber o Prêmio Nobel de Literatura.

Por onde começar: Ensaio sobre a Cegueira.

Contexto histórico e cultural

Saramago viveu boa parte da vida sob a ditadura de Salazar, que só caiu com a Revolução dos Cravos, em 1974. Militante comunista, foi perseguido e demitido por razões políticas.

Seus romances partem de uma ideia absurda (uma cidade inteira que fica cega, a Península Ibérica que se solta da Europa, a morte que entra em greve) para falar de poder, religião e responsabilidade.

Em 1992, o governo português vetou O Evangelho Segundo Jesus Cristo numa candidatura a um prêmio europeu. Saramago mudou-se para a ilha de Lanzarote, na Espanha, onde viveu até morrer.

Principais obras

  • Levantado do Chão (1980). A vida de várias gerações de camponeses do Alentejo, até a Revolução dos Cravos.
  • Memorial do Convento (1982). A construção do convento de Mafra, no século XVIII, e o amor de Baltasar e Blimunda, que vê o interior das pessoas.
  • O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984). O heterônimo de Pessoa volta a Lisboa em 1936 e conversa com o fantasma do criador.
  • O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991). A vida de Jesus contada como a de um homem, o livro mais polêmico do autor.
  • Ensaio sobre a Cegueira (1995). Uma epidemia de cegueira branca transforma uma cidade inteira. Romance sobre o que sobra de humano quando a ordem desaba.

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