Como ler Mario Vargas Llosa: o romancista do poder
Mario Vargas Llosa nasceu em 1936 em Arequipa, no Peru, e passou a juventude num colégio militar em Lima. Desse colégio saiu o primeiro romance, A Cidade e os Cães, que os militares queimaram em público.
Seus livros têm estruturas engenhosas, muitas vozes e tempos que se cruzam, e falam quase sempre de poder: ditaduras, quartéis, corrupção e a liberdade de cada um diante disso.
Em 2010, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura. Foi um dos grandes nomes do boom latino-americano e um intelectual público até o fim, em 2025.
Por onde começar: A Festa do Bode.
Contexto histórico e cultural
Vargas Llosa cresceu num Peru de golpes militares e instituições frágeis, num continente onde democracia e desenvolvimento eram assunto de briga permanente.
Formou-se numa época de muita disputa ideológica, quando socialismo, liberalismo e nacionalismo se enfrentavam nas universidades e na política. Ele mesmo mudou de lado ao longo da vida e chegou a ser candidato a presidente do Peru.
Seus romances partem muitas vezes de episódios reais, como a Guerra de Canudos ou a ditadura de Trujillo, para mostrar como as instituições moldam, e esmagam, as pessoas.
Principais obras
- A Cidade e os Cães (1963). Romance de estreia que denunciou a violência e o autoritarismo em uma academia militar peruana.
- A Casa Verde (1966). Narrativa complexa que entrelaça diferentes histórias ambientadas no Peru.
- Conversa no Catedral (1969). Considerada por muitos críticos sua obra-prima. Examina a corrupção e a repressão política durante uma ditadura.
- A Guerra do Fim do Mundo (1981). Romance histórico inspirado na Guerra de Canudos, episódio marcante da história brasileira.
- A Festa do Bode (2000). Reconstituição literária da ditadura de Rafael Trujillo na República Dominicana.
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