Como ler Hafez: o poeta que os iranianos consultam como um oráculo
Shams al-Din Muhammad nasceu por volta de 1325 em Shiraz, no sul da Pérsia, e quase nunca saiu de lá. Ganhou o apelido de Hafez, “aquele que sabe de cor”, porque decorou o Corão inteiro ainda jovem.
Trabalhou como professor, copista e poeta da corte, ganhando e perdendo a proteção dos governantes que se sucediam em Shiraz. Viveu tempos de guerra e de invasões, até a chegada de Tamerlão.
Deixou cerca de quinhentos gazais, poemas curtos de amor, reunidos depois da sua morte, por volta de 1390, num único livro, o Divã. O seu túmulo, num jardim de Shiraz, é visitado até hoje por gente que vai ler os seus versos em voz alta.
Por onde começar: O Divã.
Contexto histórico e cultural
O gazal é uma forma poética curta, com rimas repetidas, que fala de amor, de vinho e de saudade. Em Hafez, nunca se sabe se o amado é uma pessoa ou Deus, e se o vinho é bebida ou êxtase místico. Essa ambiguidade é o centro da sua arte.
Ele também zombava dos pregadores hipócritas e dos falsos devotos, o que o tornou querido pelo povo e suspeito para os religiosos mais rígidos.
No Irã, o Divã de Hafez está em quase todas as casas, ao lado do Corão, e é consultado como oráculo: abre-se o livro ao acaso e lê-se o poema como resposta. Na Europa, inspirou Goethe a escrever o Divã Ocidental-Oriental, de 1819.
Principais obras
- O Divã (c. 1390). Os cerca de quinhentos gazais de Hafez. Em português, há seleções traduzidas. O começo, e praticamente a obra inteira.
- Divã Ocidental-Oriental (Goethe) (1819). Não é de Hafez, mas mostra o que ele inspirou: o diálogo de Goethe com o poeta de Shiraz.
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