Como ler Derek Walcott: o Homero do Caribe
Derek Walcott nasceu em 1930 em Castries, a capital de Santa Lúcia, uma pequena ilha do Caribe que então era colônia britânica. Tinha um irmão gêmeo, Roderick, que também virou dramaturgo. O pai, pintor e poeta amador, morreu quando os meninos tinham um ano, e a mãe, professora, criou os filhos.
Aos 18 anos, pediu duzentos dólares emprestados à mãe e publicou por conta própria o primeiro livro de poemas. Vendeu os exemplares na rua e devolveu o dinheiro.
Estudou na Jamaica, viveu em Trinidad, onde fundou uma companhia de teatro, e mais tarde ensinou nos Estados Unidos. Recebeu o Prêmio Nobel em 1992 e morreu em Santa Lúcia, em 2017.
Por onde começar: Omeros.
Contexto histórico e cultural
Walcott viveu o fim do Império Britânico no Caribe e a independência das ilhas. Sua obra pergunta o tempo todo como ser caribenho, filho de africanos escravizados e de europeus, escrevendo na língua do colonizador.
Ele não rejeitou a tradição europeia: tomou posse dela. Em Omeros, de 1990, recontou a Ilíada e a Odisseia com pescadores de Santa Lúcia, que brigam por uma mulher chamada Helen, como os heróis de Homero.
Também escreveu dezenas de peças, que misturam o inglês, o crioulo das ilhas, o carnaval e as lendas locais. Ao lado de V. S. Naipaul e Kamau Brathwaite, é um dos nomes centrais da literatura do Caribe de língua inglesa.
Principais obras
- Another Life (1973). Longo poema autobiográfico sobre a juventude de pintor e poeta em Santa Lúcia.
- Sea Grapes (1976). Poemas sobre o mar, o exílio e a história do Caribe.
- Dream on Monkey Mountain (1967). A peça mais conhecida: um carvoeiro pobre sonha com uma deusa branca e com a África.
- Omeros (1990). A Ilíada recontada com pescadores de Santa Lúcia. O começo, para quem quiser o mais importante.
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