Como ler Sor Juana Inés de la Cruz: a freira que defendeu o direito das mulheres de estudar
Juana Inés de Asbaje nasceu por volta de 1648 em Nepantla, uma aldeia ao pé do vulcão Popocatépetl, no México, que então era a Nova Espanha. Filha de pais não casados, aprendeu a ler aos três anos e devorou a biblioteca do avô.
Ainda menina, pediu à mãe para se vestir de homem e estudar na universidade, que não aceitava mulheres. Não conseguiu. Foi para a corte do vice-rei, onde impressionou sábios com a sua erudição, e aos 20 anos entrou para um convento, a única forma de ter tempo e livros para estudar.
No convento de São Jerônimo, na Cidade do México, reuniu uma biblioteca enorme e escreveu poemas, peças de teatro e textos religiosos. Nos últimos anos, pressionada pela Igreja, desfez-se dos livros. Morreu em 1695, durante uma epidemia, cuidando das irmãs doentes.
Por onde começar: Resposta a Sor Filotea.
Contexto histórico e cultural
Sor Juana viveu o auge do barroco na América espanhola, num mundo em que a Igreja controlava o que as mulheres podiam ler e pensar. Era a escritora mais famosa do mundo hispânico do seu tempo, publicada na Espanha.
Em 1690, escreveu uma crítica a um sermão do padre Antônio Vieira, o grande pregador português que viveu no Brasil. O bispo de Puebla publicou o texto sem permissão e, sob o pseudônimo de Sor Filotea, aconselhou-a a deixar os estudos profanos.
Ela respondeu com a Resposta a Sor Filotea, de 1691, uma defesa brilhante do direito das mulheres ao conhecimento. É considerada um dos primeiros textos feministas das Américas. Seu rosto está até hoje nas cédulas mexicanas.
Principais obras
- Resposta a Sor Filotea (1691). A carta em que ela conta a própria vida e defende o direito das mulheres de estudar. O começo ideal.
- Os Empenhos de uma Casa (1683). Uma comédia de enganos e amores trocados, no estilo do teatro espanhol do Século de Ouro.
- Primeiro Sonho (1692). Um longo poema filosófico sobre a alma que tenta, durante o sono, conhecer o universo inteiro.
- Redondilhas e sonetos (século XVII). Os poemas curtos, entre eles o famoso que acusa os homens de culpar as mulheres pelo que eles mesmos provocam.
Este guia faz parte do Acervo Internacional da Latitude Literária.
Este post contém links de afiliado da Amazon. Se você comprar por eles, a Latitude Literária recebe uma pequena comissão, sem nenhum custo extra para você.
