Como ler Juan Rulfo: dois livros e um povoado cheio de mortos
Juan Rulfo nasceu em 1917 no estado de Jalisco, no oeste do México, numa região de terras secas e fazendas arrasadas pelas guerras. O pai foi assassinado quando ele tinha seis anos, a mãe morreu pouco depois, e ele cresceu num orfanato em Guadalajara.
Na Cidade do México, trabalhou como funcionário da imigração, vendedor de pneus que viajava pelas estradas do país e, mais tarde, editor num instituto indigenista. Também foi um fotógrafo de talento, com milhares de imagens do interior mexicano.
Publicou dois livros: os contos de El Llano en Llamas, em 1953, e o romance Pedro Páramo, em 1955. Depois, não publicou quase mais nada, e passou o resto da vida respondendo à pergunta sobre por que tinha parado de escrever. Morreu em 1986.
Por onde começar: Pedro Páramo.
Contexto histórico e cultural
Rulfo cresceu entre a Revolução Mexicana e a Guerra Cristera, o levante católico contra o governo, nos anos 1920, que devastou o oeste do país. Seus personagens são camponeses pobres, violentos e abandonados, numa terra que não dá nada.
Em Pedro Páramo, um homem vai ao povoado de Comala em busca do pai e descobre que todos ali estão mortos. O livro é feito de vozes, murmúrios e fragmentos, e mistura o tempo dos vivos e o dos mortos sem avisar o leitor.
Gabriel García Márquez contou que, depois de ler Pedro Páramo, sabia o livro de cor e encontrou ali o caminho para escrever Cem Anos de Solidão. Jorge Luis Borges o chamou de um dos melhores romances da literatura.
Principais obras
- El Llano en Llamas (1953). Dezessete contos secos e violentos sobre os camponeses de Jalisco.
- Pedro Páramo (1955). Um filho vai a Comala em busca do pai e encontra um povoado de mortos. O começo indispensável.
- O Galo de Ouro (1980). Novela escrita nos anos 1950 como roteiro de cinema, sobre um pregoeiro pobre que enriquece com um galo de briga.
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