Como ler Rachel de Queiroz: a seca contada por uma moça de 20 anos
Rachel de Queiroz nasceu em Fortaleza, em 1910, numa família de fazendeiros do sertão cearense. Aos 7 anos, viu a família fugir da seca de 1915 para o Rio de Janeiro e depois para Belém.
Aos 20, transformou essa lembrança em O Quinze, romance sobre a grande seca. O livro foi um sucesso tão grande que alguns críticos duvidaram que uma moça do interior pudesse tê-lo escrito.
Romancista, cronista e tradutora, escreveu durante mais de setenta anos. Em 1977, tornou-se a primeira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras e, em 1993, a primeira a receber o Prêmio Camões.
Por onde começar: O Quinze.
Contexto histórico e cultural
Rachel estreou junto com a geração do romance de 30, que trouxe para a literatura brasileira o Nordeste da seca, do latifúndio e da migração, ao lado de Graciliano Ramos, José Lins do Rego e Jorge Amado.
Militou no Partido Comunista na juventude e foi presa em 1937, durante o Estado Novo. Mais tarde, rompeu com a esquerda e passou a ocupar posições conservadoras, o que até hoje divide leitores e críticos.
Na ficção, criou mulheres fortes e independentes, numa época em que o sertão e a cidade esperavam delas obediência e casamento.
Principais obras
- O Quinze (1930). A seca de 1915 vista por Conceição, uma professora independente, e pela família de retirantes de Chico Bento.
- Caminho de Pedras (1937). Militância política e liberdade feminina na Fortaleza dos anos 1930.
- As Três Marias (1939). Três amigas de colégio interno e os caminhos diferentes que a vida lhes reserva.
- Dôra, Doralina (1975). Uma mulher que deixa a fazenda e a mãe dominadora para viver a própria vida.
- Memorial de Maria Moura (1992). Uma mulher do sertão vira chefe de bando para defender a sua terra. Virou série de TV.
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