Acervo Internacional

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Uma volta ao mundo pelas estantes

Ler é um jeito de viajar sem pedir licença à geografia. Um romance escrito em Dublin no fim do século XIX chega a Palmas numa tarde de chuva e, quando a gente percebe, está trancado num castelo dos Cárpatos, lendo diários alheios e desconfiando de um conde educado demais.

A literatura brasileira é o nosso chão. É nela que reconhecemos a fala, o humor torto e as feridas que o país ainda não fechou. Machado de Assis segue sendo o melhor guia para entender como o Brasil se olha no espelho, e há muita gente nessa estante, inclusive bem perto de nós, nas Vozes do Tocantins.

Só que quem lê apenas o que nasceu perto de casa corre o risco de ler sempre o mesmo livro. A literatura de outros países mostra que o medo, a culpa e a memória mudam de sotaque, e mesmo assim a gente entende. Dostoiévski escreveu sobre a consciência de um ex-estudante pobre em São Petersburgo, e mais de um século e meio depois aquilo ainda incomoda. Borges inventou bibliotecas infinitas em Buenos Aires. Virginia Woolf fez caber uma vida inteira num único dia de Londres.

Este acervo funciona como um mapa, e é um mapa em obras. Novos autores e livros chegam com frequência, então vale voltar de vez em quando: a cada visita, o mundo daqui fica um pouco maior.

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poema visual de Ariel Elias do Nascimento, 2026
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